terça-feira, 15 de junho de 2010

A culpa não é minha!

É impossível não achar bonitinho um cachorrinho que abana o rabinho feliz olhando pra você. Mesmo um vira-lata de rua feinho que seja. Mas é super fácil subir o vidro do carro quando uma criança suja e remelenta se aproxima com um pacotinho de balas pra por no seu retrovisor. Mesmo assim, as pessoas têm a linda tendência de achar que a criança é mais digna de pena do que o cachorro por ser humana. E na hora de dizer que existem direito humanos, que o certo é realmente salvar essas pobres criaturas das ruas, não lembramos que morremos de medo de trombadinhas. E na hora de dizer que você tem que mudar e o cachorro não pode ir também, abandonar na rua ou dar pra qualquer pessoa sem saber se vai cuidar ou não é facílimo. Muito humano mesmo, corretíssimo.

Se uma pobre onça aparece morta no noticiário porque o fazendeiro não quis que ela continuasse matando suas cabras ou galinhas, todo mundo morre de pena. Que crápula! Ignorância! Mas ninguém pensa que o cara com certeza depende dessas bichinhas pra viver e a onça pode oferecer prejuízo financeiro e perigo à sua família. Ninguém pensa que o crápula é o cara que loteou e vendeu esse terreno para o afzendeiro em área de proteção, onde a onça sim deveria morar e não a cabra. Nem o fazendeiro e sua família. Ninguém lembra do político que prometeu, deu cesta-básica, falou palavras bonitas. O fazendeiro é um coitado ignorante e a onça... tadinha! Mas alguem se pergunta quem é o responsável por essa família ter ido parar na área da onça, pensar duas vezes em votar neste ou naquele vereador, deputado ou prefeito? A culpa da morte dessa onça veio lá de longe, da lei que não funciona, do grileiro safado, do poder público corrompido que faz acertos com corretores, coronéis e fiscais. Mas ai normalmente se ouve: Ah! Me poupe, não gosto de política! Não sei da vida desse candidato, só acho ele "menos ruim". Ou ainda: votei no partido, nem sei no que vai dar! E isso não te põe lá atrás na fila dos responsáveis indiretos pela morte da onça? Pela miséria de vida que esse fazendeiro tem? Não, né! Afinal, o que você tem com isso? Você não sabia, logo, não tem culpa! E dane-se a onça, o fazendeiro, as cabras... Esses caras se enchem de grana porque "você não tem culpa" sabia?

É possível conhecer tudo e todos, formar opiniões coerentes e informadas sempre? Não. Mas isso então é desculpa pra nem tentar? É tão duro assim entrar num site buscando informações? Assistir mais noticiário que novela? Ou pelo menos um pouco mais? Ler um parágrafo de jornal em vez de uma revista feminina inteira? Só porque as coisas podem ser difíceis temos a desculpa de fazer corpo mole, essa é a verdade. Isso nos torna humanos, o erro. Erro não, a cagada mesmo. Porque se categoriza entre os excrementos atitudes como auto-indulgência, auto-piedade, fingir-se de morto... e principalmente ignorar pra não ter que pensar ou ver. Pois eu te digo que quando um vira a cara pra não olhar, outro fica quase vesgo de tanto olhar pra pensar o quê fazer com a sua cagada. E quando isso não acontece, fica lá seu excremento, apodrecendo, fedendo e incomodando. Tipo o seu voto que você jogou no lixo porque não gosta de política. Ah, não! Desculpe. Porque você "vota no menos pior". Ele tá apodrecendo em algum lugar, incomodando muito alguém que nem sabe porque raios tem que aguentar SEU excremento. Não só o seu, mas o de todos os vários vocês que podem estar lendo isso agora. É uma montanha enorme de lixo que afoga a dignidade da onça que só precisa de um "mato", das pessoas que só precisam de uma "terra" e um dia, tomara, vão chegar em você. No teu mercado que ficou caro, nas contas de luz e água, na passagem do ônibus, na gasolina do carro, nos sem-teto que se tornam drogados ou bandidos e te espreitam. Enquanto uns pensam que não merecem isso, outros pensam que podem MUDAR isso.

Então nessas eleições, larga um pouco a vuvuzela e entra no google antes de votar. Ou anule seu voto, consciênte de que quem não ajuda, não atrapalha. Já é um passo!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Humanitário?

Muitas pessoas acreditam que o confinamento de animais é a pior dos crimes cometidos contra animais. Considerando que a maioria das pessoas não conhece a realidade do acontece com eles em geral, pode-se afirmar que essa não é a pior. É só mais um crime, igualmente hediondo.

Confinamento é praticamente uma condição básica da maioria dos animais que não vivem em condição selvagem. Pode ser numa jaula, gaiola, quartinho, quintal, baia, use sua imaginação. Gado criado para abate até pode ser criado pastando, mas o gado leiteiro vive confinado em baias do tamanho da própria vaca, ligados dia e noite na ordenhadeira. O mesmo acontece com todo tipo de galináceo, seja para consumo ou produção de ovos. Vivem amontoados, mal tem espaço pra pisar no chão. Coelhos também são criados assim, sem poder andar sequer. As galinhas ficam em gaiolas que "acomodam" suas cabeças pra fora com acesso ao comedouro e o corpo sentado na grade, com as patas penduradas para fora. A vida toda. Toda não, a parcela de vida que podem por ovos com mais saúde, antes de morrerem como se não fossem nada. Toda criação de animais de exploração humana vivem nesse tipo de condição. Confinados para manter o controle da produção, muitas vezes sem poder se exercitar minimamente acabam tendo atrofia muscular, ficam neuróticos, se auto-mutilam, a saúde se compromete tanto que vivem menos da metade da expectativa. E os criadores consideram tudo isso, pra explorar melhor e com segurança para que o produto saia com qualidade. Não pensando em sequer um mínimo bem-estar ou qualidade de vida.

Nosso consumo é mais importante do que nossa moral. Se o ser humano valorizasse mesmo sua condição de racional, não se permitiria esse tipo conduta negligente aos valores tradicionais. Não é errado matar, é crime! É pecado, é hediondo, é o pior que um ser humano pode fazer. A tortura que preceder morte é considerada agravante extremo, morrer é bem diferente de sofrer até a morte. Mas quem põe um bife no prato não quer nem saber se "aquilo" já foi vivo, que se dirá se imaginar o sofrimento "daquilo". Chama-se abate humanitário aquele promovido com mínimo de sofrimento, cuja vida do animal é mantida com qualidade até o dia de seu abate e a exploração dele em vida é feita sem excessos, respeitando a possibilidade dele. Se a carne viesse para o prato após uma longa vida de cuidados, qualidade, saúde, acomodação e segurança adequados, teríamos então o que chamam de abate humanitário. Se fosse possível aproveitar a carne dos animais que morreram naturalmente seria ideal, mas muita gente acharia a carne de má qualidade, doente, demoraria demais para ter um bife e a indústria não pára. Em realidade, o animal vive poucos anos da fase adulta, só atinge o auge da saúde que pode ter, vai para o corredor da morte muito antes de ficar velho (claro, se não "estraga" a carne!). Morrer no auge da vida é humanitário? Ter veterinário, pasto, liberdade, abrigo de intempéries e de repente perder tudo é humanitário? Nascer comida e morrer comida é humanitário? Pelo visto, não importa o que querem dizer com humanitário, definiram esta palavra para o tipo de tratamento sem pensar no seu significado. Se ajudar uma criança doente, um carente, sem teto, criminalizado é serviço humanitário, fica estranho chamar também de humanitário esse tipo de tratamento. Que tira ao invés de dar. Matar sem dor é eutanásia, não abate humanitário. Tanto que se chama abate, não eutanásia. Essa sim, feita com anestesia em casos de sobrevida miserável, em vista do fim do sofrimento causado por enfermidade é humanitária. Manter a qualidade da carne? Isso é desculpa não argumento.

As florestas nativas do Brasil são reduzidas a pasto para que estes animais vivam "dignamente". Vão morrer como os que vivem em baias pequenas, mas vivem soltos, pastando a pouca vida que podem viver. Essa vida livre que é tirada deles na verdade também é tirada da riqueza natural do país. Quantas espécies entrando em extinção, quantos habitats destruídos em nome de um abate humanitário... O ser humano que faz isso deveria ser denominado besta. Pois o animal é sensciênte, a besta é uma figura simbólica animalesca, representante do Mal. O ser humano é um ser racional, sensciênte e principalmente ético. Quem faz esse tipo de coisa não sabe o que é ética, não raciocina, apenas pensa. Pensa em si e no lucro. Esse não é o legado que os gênios da humanidade, grandes pensadores, grandes revolucionários quiseram nos deixar. E na hora de diferenciar humanos de animais é nestes seres humanos que se pensa. Bom, pode até ser, mas eles são eles. A massa não se parece com eles. Nem os "patrões" dessas massas. Eles são mais parecidos com os animais. Senscientes, adaptados, observadores de seu meio, estudiosos que buscam soluções. Como os mais fortes da savana, da floresta, do deserto.

De todo modo, humanitário ou não, com ou sem confinamento, animal nenhum deve ser explorado. Nada justifica o uso da palavra humanitário para qualquer tipo de exploração animal. A não ser que a ética tenha se reduzido a ética humana e agora exclui as outras formas de vida, ao ponto que tudo que se refere à humano, seja superior ao ponto de permitir crimes contra outros seres. Isso iniciaria uma discussão sobre especismo; o preconceito contra espécies. Mas fica pra outro texto...


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Karin Yoshitake

A sombra da ciência

A sombra da ciência

Não existe dicotomia mais antiga do que a razão e a emoção. Que com o desenrolar da história da humanidade se tornou sinônimo de religião e razão. Ou religião e ciência. Essa dicotomia, no lado racional ou emocional, criou uma sombra sobre os animais. Uma sombra fria, escura, contaminada e indecente. Aquela sombra que realmente temos medo de adentrar. E com certeza existem motivos de sobra para vacilar perante tal sombra. Uma parte dela é causada pelas barras das grades de gaiolas e baias em laboratórios, pelas máquinas, microscópios e pilhas de papéis. Atrás do mundo cientifico, fica esta sombra escondendo animais covardemente violentados, apavorados, doentes e sem chance de uma vida minimamente digna. Aqueles que vão nascer e morrer sem sequer imaginar que outros animais são amados e acarinhados fora destas gaiolas. Eles crêem que somos monstros. E esse terror deles, os cientistas ignoram facilmente disfarçando sua ignorância com razão e necessidade de fazer o bem para a humanidade. Bem este, todo paramentado de aparelhos, métodos e critérios coerentes e racionais. É tanta coisa que eles acabam ignorando o respeito, o valor da vida, o medo infligido e sofrimento. Aqui vão os exemplos mais comuns do que a ciência faz com os animais em testes:

Biotério
Lugar onde são criadas as cobaias para experimentos científicos. Cientistas e encarregados controlam a alimentação, limpeza, temperatura, barulho e cruzamentos entre eles. É uma vida bem estruturada, com tudo acertado para evitar contaminação entre os animais (que atrapalhariam os resultados dos testes, que só são conduzidos em animais com perfeito estado de saúde no estágio inicial). Existem empresas especializadas que fazem testes encomendados de outras empresas ou institutos de pesquisa. São criados, coelhos, ratos, gatos, macacos, cães, porquinhos-da-Índia, vacas, porcos, cavalos, entre outros. Alguns são modificados geneticamente através de várias cruzas específicas para que desenvolvam uma determinada doença e assim sirvam ao propósito do teste. Por exemplo: 100 espécimes para testar a eficácia de um medicamento contra o câncer. São criados então 100 ratos com tendência altíssima de desenvolver câncer (o tipo de câncer que ele irá desenvolver também pode ser manipulado geneticamente). O rato mais caro já encomendado para testes custou em torno de milhares de dólares cada exemplar, devido à dificuldade em manipular as cruzas até chegar ao resultado fisiológico desejado. Tudo isso para fazer testes. Se pudéssemos impor as leis humanas para defender as cobaias, cientistas que conduzem este tipo de teste poderiam ser incriminados por exploração de incapaz, cativeiro, escravidão, tortura, abuso de poder, formação de quadrilha e segue uma lista sem fim de crimes. Hoje existem leis que regulamentam a qualidade de vida da cobaia, sua morte deve ser feita indolor e rapidamente via eutanásia, toda sua vida deve ser monitorada para otimizar alimentação, limpeza e stress zero, só pessoal autorizado entra no biotério para evitar acidentes, etc. Infelizmente essas belas regras, como todas, ainda são quebradas com grande freqüência.

Método científico
O número 1 da lista de racionalidade, segurança e qualidade de nossa razão como seres preocupados com bem-estar. Sem o teste científico qualquer produto de utilização e consumo humano é perigoso e contra-indicado. Ele comprova níveis aceitáveis ou ótimos de todo tipo de composto químico, produto finalizado para consumo e substâncias que podem afetar o meio ambiente e saúde pública. Consiste em testes laboratoriais padrão num primeiro nível, seguido de testes em animais e por fim em voluntários humanos (que pode ser uma etapa excluída ou os humanos voluntariamente aceitam fazer o teste, por exemplo, para alguns produtos da indústria coméstica e medicamentos experimentais contra doenças ainda sem tratamento 100% eficaz). Os animais não têm a opção de voluntariar. Quando o animal cobaia faz esse tipo de teste é induzida à doença a ser tratada nele, salvo um ou outro caso de empresas que contataram veterinários para conseguir animais com a determinada doença, para testar o medicamento mediante permissão do proprietário do animal. Isso sim seria humanitário e correto, mas é exceção à regra, quase é feito por dar trabalho e o nível de comprometimento com o "cliente" é altíssimo.

Teste dermatológico
O animal é escolhido conforme sua pele tenha sensibilidade ao produto químico e semelhança fisiológica com a pele humana. O químico é aplicado durante um determinado período de tempo (24horas, 72 horas, depende do procedimento adotado) e as reações são acompanhadas visualmente, exames de sangue e biópsia para análise laboratorial. Este teste é feito para todo químico que pode entrar em contato com a pele humana, seja ele cosmético, fármaco, produto de limpeza, comida, etc. Em outras palavras, é para avaliar se o seu detergente é alergênico, se seu sabonete causa coceira, se o corante da comida causa reações alérgicas, se o batom é cancerígeno e por ai vai.

Toxicidade
O mesmo procedimento de aplicação dermatológica ou para exames mais profundos (ingestão, inalação, aplicação intravenosa ou intradérmica, contato com mucosas ou olhos). Neste caso a dosagem é feita controladamente até que a reação seja tóxica, leve o animal ao quadro mais patológico possível e óbito (quando o químico tem esse nível de toxicidade). Isso serve para comprovar alergias, doenças, efeitos colaterais e graus de periculosidade. São feitos estes testes para todo tipo de químico, sejam para produtos de limpeza, cosméticos, alimentos, bebidas, fármacos, todo tipo de composto químico. Seguro para nós, tortura seguida de morte para os animais.

Testes psicológicos
De longe os mais cruéis que existem. O animal é posto sob condições de stress diversas para testar sua capacidade de reação e mudanças de comportamento a curto ou longo prazo. São mais utilizados os macacos para tais testes, pois são mais parecidos com humanos no quesito racionalidade. O desenvolvimento destes testes resulta em animais cada vez mais traumatizados, neuróticos, medrosos, raivosos, doenças psicossomáticas, auto-mutilação, retardamento mental, problemas neurológicos, agonia do pior tipo. Alguns testes já realizados: retardamento mental por isolamento em filhotes normais, déficit de aprendizado e desenvolvimento por uso de drogas, efeitos de sons altos sob animais cegos, superação de episódios traumáticos, superpopulação e canibalismo, desenvolvimento da agressividade em filhotes normais. A maioria dos animais para este tipo de este é normal e de temperamento calmo. Eles são induzidos aos comportamentos e deficiências aos quais o teste requer para ser desenvolvido, ou seja, são mutilados (no caso de cegueira e amputação de membros). Eles também ficam ligados aos aparatos de eletroencefalograma e todo tipo de neuro-parafernália para medir seus impulsos nervosos e reações fisiológicas. Isso pode também resultar em mutilações na pele, abertura do crânio, retirada de partes do cérebro e etc. Em raros casos, cães e gatos com algum distúrbio psicológico são convidados a participar de terapias e tratamentos com drogas experimentais, voluntariamente, para tratar um problema já existente.

Vivissecção
Do grego, ato de seccionar (cortar) um ser vivo. Na teoria, a vivisecção seria desde cortar uma unha, retirar uma biópsia para exame até a extração de um órgão. Não necessariamente é usado neste significado, mais comumente conhecida como ato de experimento científico. O mesmo serve para a palavra dissecção e dissecação (cortar). A palavra sozinha apenas remete ao procedimento, podendo ou não significar sofrimento - por exemplo, um cachorro com problema de pele precisa fazer exames de biópsia e raspagem para diagnóstico e medicação. Essa palavra causa calafrios em muitos, mas em realidade nem é tão má.

Experimentação educacional
Para fins didáticos os estudantes de escolas e universidades podem ver em um cadáver real as estruturas do corpo dos animais. Podem ser usados diversos animais ou apenas um, isso depende da instituição de ensino e nível do curso. Obviamente existem modelos muito bons para esse tipo de estudo feitos em resina, silicone e outros materiais, que podem substituir muito bem o cadáver. Já nas universidades de medicina e veterinária o procedimento é muito outro e se faz necessário trabalhar com animais vivos. Cada instituição deve se preocupar com o teor de seu curso e seguir os padrões como acima mencionados ara biotério. Tratar um animal em necessidade é bem diferente de provocar nele um mal para então tratar. Dar a vida na mão de um inexperiente para que "treine" sendo óbvia a chance de insucesso é sadismo.

E como este texto não se propõe a falar de outros testes ou se aprofundar nos acima citados, chega agora a sua conclusão. O ser humano, tão racional e criador da ética e moralidade, explora outro ser indefeso e não considera isso imoral. Mesmo que eles não possam falar ou escolher, nem ao menos lutar para se salvar. Mesmo à força, com violência, não tem problema, não é crime porque não é uma pessoa. Qual razão seria limpa e decente o bastante para tirar a culpa de causar dor e morte? Com o mesmo corte que se corta uma rã, se corta um pescoço humano. A ciência pode até defender a razão, mas na verdade defende o dinheiro. Se existem outros métodos mais caros e demorados, então o uso de animais não seria apenas para economizar e demorar menos tempo para atingir um resultado? Sem perigo de arriscar uma vida humana e causa uma má imagem ao pesquisador ou instituição? Se tantas pessoas sofrem de doenças sem cura ainda, se submetem a todo tipo de tratamento estético para ficarem bonitas, então para quê testar em seres que foram abençoados com a saúde perfeita? Já que demora encontrar estas pessoas e firmar termos de compromisso, não vale a pena "ajudá-las". Melhor usar animais que não tem o que assinar, não vão te processar e o envolvimento emocional é zero. Isso é tática administrativa, isso é lucrativo pela economia feita. Claro que não há espaço para ética quando não há dinheiro para bancá-la. Mas o que poderia custar mais caro que seu caráter? Dá mesmo para tantas pessoas acreditarem que não é crime torturar e matar quando a vítima é um animal? Voluntariamente o ser humano ignora a dura realidade de tantas faces da sociedade, a exploração animais é só mais uma. Numa sociedade em que o respeito pelas pessoas está em baixa, que se dirá de entender que um animal sofre (nem necessariamente respeitá-lo, apenas conseguir se por em seu lugar e ver seu sofrimento).

O patamar ético de alguns humanos mais elevados e sensíveis não permite mais ignorar os crimes da humanidade. Não se pode evitar que um e outro acorde e reaja contra o que é errado. A humanidade sempre foi assim, aos poucos unindo novos grupos que quebram confinamentos, algemas e libertam mentes. Essa é a luta pelos animais. Um dia foi errado escravizar um negro ou índio. E no futuro, será errado fazê-lo com animais. Corrigindo, será errado juridicamente explorar um animal, pois eticamente sempre foi e sempre será errado explorar qualquer desfavorecido, seja ele animal ou não.

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Karin Yoshitake

quinta-feira, 11 de março de 2010

Qualidade de vida: será que os humanos sabem mesmo oferece-la aos animais?

Qualidade de vida: será que os humanos sabem mesmo oferece-la aos animais?

Dentro ou fora do habitat natural, os animais precisam de uma série de condições específicas para ter qualidade de vida. Seu histórico de vida e o meio onde está inserido fazem um papel muito importante independentemente de suas capacidades e necessidades instintivas. A pergunta é pertinente tanto para quem é contra animais em jaulas quanto para quem acha correto preservar animais de determinada espécie nos zoológicos. Há pessoas que defendem a idéia de que o animal pode estar vivendo com qualidade de vida e saúde em alguns zoológicos com boas instalações. Outras que são contra o cativeiro, garantem que os animais nos zoológicos estão sob stress constante e infelizes. Proponho uma reflexão sobre os dois lados. Visando a qualidade de vida do animal, podemos ter vários cenários em que os seres humanos podem proporcionar uma vida digna e feliz. Estes cenários podem ser tanto o habitat natural, como um zoológico, ou um cativeiro para reabilitação a natureza. Tirando dessa proposição instalações precárias e mal geridas, vamos imaginar que alguns animais nascem e crescem no zoológico e outros, saem da natureza e vão adultos para um zoológico. Os que nascem lá podem muito bem se tornar adultos saudáveis e felizes. Isso vai depender de como ele foi criado desde a infância. Na natureza ou em cativeiro, todos os animais sociais vão buscar uma “família”, enquanto os animais solitários preferem o isolamento quando se tornam adultos. Mesmo que discordem muitos leitores, fato é que os animais vêem os humanos que convivem com eles como família e não como “donos”. Principalmente quando nascem e crescem tendo contato direto e constante com eles. Keyko (a orca estrela do filme Free Willy) não conseguiu conviver com outros de sua espécie, pois sua família sempre foi humana. A história de vida de Keyko vai responder essa pergunta por si só. Como foi muito admirado e amado por pessoas no mundo todo, Keyko foi vítima de um erro terrível que a humanidade teima em cometer: a falta de comunicação.
Capturado na Islândia com 2 anos de idade aproximadamente, Keiko foi separado de sua família orca em 1979. Se tornou astro de shows em um parque aquático no Canadá em 82 e depois foi vendido para outro parque no México em 85. Finalmente em 92 foi “convidado” a participar do filme Free Willy com locações no México. Keyko sempre teve ótimo comportamento, muito amigável e disposto a aprender brincadeiras novas. Foi por isso que treiná-lo para o filme foi fácil, porque através de brincadeiras e peixes, Keyko nem notou que estava atuando. Depois do filme, o novo astro era venerado por crianças e adultos. Para ele, os humanos eram sua família e amigos. A partir de 94 logo após o primeiro filme, foi criada The Free Willy Foundation (Fundação Free Willy) que conseguiu 4 milhões de dólares de doação da Warner Bros e de um doador anônimo para reabilitar Keiko para a vida no mar aberto. Em 95 o parque aquático do México doou Keiko para The Free Willy Foundation e em 98, após acompanhamento e treinamento exaustivos, ele estava caçando e se comportando como qualquer orca selvagem. Em 98, Keiko foi levado de volta a Islândia para ser reintroduzido aos poucos na natureza. Nos anos seguintes, ainda sob observação e cuidados, ele já saia para o mar e começou a interagir com outras orcas. Mas acabou sendo solta para a liberdade apenas para continuar a procura de humanos. Orcas comuns são seres sociais, na natureza vivem em bandos familiares. Sozinhas, elas procuram pelo bando incansavelmente ou por outro bando; biólogos e naturalistas observadores já presenciaram orcas solitárias fazendo isso e até pararem de caçar e ficarem abatidas caso não encontrem. Pessoas do mundo todo tiveram pena dessa baleia talentosa que nunca conheceu o mar aberto e queriam que ele fosse viver na natureza para ser feliz como as orcas selvagens. Mas Keyko seria feliz no mar? Sem seus familiares do parque? Ongs muito bem intencionadas fizeram todo tipo de manifestação e conseguiram que Keyko pudesse ser reabilitado a vida no mar aberto e então voltar ao mar definitivamente. Para uma orca qualquer que tenha nascido entre familiares orcas e crescido em mar aberto, seria realmente um ato ético e humano. Mas não foi para Keyko. Ele chegou a seguir um barco pesqueiro por semanas, só por ter visto pessoas nele. E fez gracinhas e esguichou água e seguiu o barco o quanto pode. Ia perto de praias procurando pessoas e sempre acabava sendo rebocada de volta ao mar aberto, pois as autoridades temiam que ele machucasse alguém acidentalmente. Keyko morreu sozinho após anos procurando companhia humana, sendo que seus tratadores sabiam que isso poderia acontecer. Keyko se adaptou a caça após anos de “preguiça” de caçar, mas nunca parou de fazer gracinhas quando alguém se aproximava. Como era monitorada por radar, puderam notar que Keyko começou a nadar distâncias cada vez menores e foram até ele ver se estava tudo bem. E não estava. Ele tinha contraído pneumonia. Após anos, ele teve companhia humana novamente. Tentaram medicá-lo e alimentá-lo mas ele acabou morrendo.
O que aconteceu com o Keyko não foi um grande erro, foi apenas falta de diálogo. Quem o conhecesse como conheciam os tratadores poderia ver que Keyko era feliz. Ele era exceção à regra. Se as ongs pudessem ter contato direto com os tratadores talvez tivesse sido diferente, mas foi o parque que negociou com as ongs e fez toda a estratégia para devolver Keyko a natureza. Não houve um momento de informação, de um diálogo sobre Keyko e suas preferências. Houve apenas dinheiro para construir uma área de adaptação no mar para ele, trabalho, planos e estratégias, discussões sobre shows e perda de lucro, espécies ameaçadas que merecem voltar à natureza. Onde foi parar Keyko nessa história? Onde foi parar a preocupação com ele especificamente e não orcas ou espécies em extinção?! Toda orca é feliz no mar, mas não uma orca que precisa de humano em volta pra se sentir feliz. Muitas ongs de proteção animal e ambiental são formadas por pessoas de caráter invejável e disposição para mover montanhas. Mas de boas intenções, o inferno está cheio. É dura a realidade. Muitas vezes as pessoas não sabem o que estão fazendo, não por ignorância, mas por motivos como desespero, pressão, negligência ou desatenção. Quantos não foram os protetores de animais que já foram mordidos, picados, atacados, perseguidos...? Não por falta de preparo, mas muitas vezes pela urgência e enorme vontade de ajudar. As ongs precisam de informação para que isso não aconteça mais. O importante não é discutir quem “matou” Keyko, mas sim aprender a buscar a melhor alternativa para o animal tanto como indivíduo como para uma espécie em sua totalidade. O mais correto seria considerar o caso específico com o qual se está lidando. O trabalho de pessoas que amam os animais deve ser norteado por pessoas que entendam do assunto e não por diretores e autoridades. As orcas selvagens precisam de ajuda como tantos outros animais, mas elas são felizes lá onde estão. E devemos brigar para que elas continuem na natureza, sem medo de caçadores. E voltando a questão inicial, o que faz uma orca feliz? O de sempre. Carinho, atenção, entes queridos. O básico para a vida como comer, morar, segurança, isso é só o básico. É sobrevivência e não qualidade de vida. Ser feliz sim é ter qualidade de vida. Para a maioria dos animais selvagens, essa qualidade só existe na natureza com os de sua espécie. Mas alguns animais são felizes com suas famílias humanas, afinal eles têm sentimentos e personalidade desenvolvidos no convívio familiar. Se a família de Keyko foi considerada menos importante para ele do que a vida na natureza, então seria correto dizer que quando uma pessoa vai morar no exterior ela troca de família e esquece a do país de origem? Não sente saudade, não escreve, nem manda e-mail? E também leva a concluir que os animais fingem que gostam de humanos por comida instintivamente desde o nascimento, mas não são capazes de nos amar, já que não somos da mesma espécie? Soa ridículo, não? Afinal, preconceito é coisa de gente. Seres humanos e animais são capazes de amar. E amar é cuidar, fazer o melhor pelo outro para fazê-lo feliz.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Texto ótimo da Arlete (ONG SAVA)

SABE ...EU ADORO ANIMAIS

Desde de criança sempre gostei de animais, queria fazer veterinária, mas por imposição de meus pais, segui outra carreira.
Quando vejo algum na rua com sarna, atropelado, debilitado, viro o rosto para não ver, quando dá mudo de até de calçada, tenho muita dó, não gosto nem de olhar.
Quando escuto meu vizinho batendo no seu cão, tampo meus ouvidos para não ouvir.
Não passo em frente a casa ao lado da minha ,pois lá tem um cãozinho amarrado em uma corrente muito curta, sem água e sem comida, ele está muito magro, dá pena de ver.
Não alimento os bichinhos da minha rua, porque tenho muita dó, não gosto nem de chegar perto.
Quando minha cachorra deu cria, para não me apegar nos filhotinhos, peguei eles ainda com os olhinhos fechados, arrumei direitinho dentro de uma caixa de papelão e deixei em frente a um Pet Shop, tenho dó de deixar na rua. SABE....EU ADORO ANIMAIS.

Uma vez quando eu morava numa casa com quintal, tinha um cão de porte médio, ele era muito inteligente, ia me esperar no portão todos os dias, era meu amigão, mas daí tive que me mudar para um apto e não pude levá-lo, então com muita dó, mandei para a protetora dos animais, sabe que nunca mais tive noticias dele!!!! Mas era meu companherão..... Há!! SABE....EU ADORO ANIMAIS.

Tive uma vez também um cachorrinho, muito alegre muito brincalhão que gostava de dar umas voltinhas na rua, depois de dois dias percebi que ele não voltou, então meu vizinho disse que a carrocinha o tinha levado,NOSSA!! Fiquei com um aperto no coração, SABE.....EU ADORO ANIMAIS.

Em um domingo lindo ensolarado, estava indo para uma festa, quando quase tropecei em um cachorrinho atropelado, você não vai acreditar!! Sabe o que fiz?? Ligue para a protetora dos animais, ela prontamente me pediu o endereço para poder buscá-lo, minha consciência não ia ficar tranqüila sabendo que o animalzinho estava agonizando ali na calçada fria e suja. Não ia conseguir me divertir.

Mais tarde liguei para saber se ela tinha ido buscar, ela me disse que estava com ele em um hospital veterinário e que ia se salvar, ela disse também que estava deixando lá vários cheques pré-datados, coitada!! Fiquei com dó dela.

Depois disto TUDO que fiz, consegui me divertir na festa e o cãozinho se salvou, TUDO graças a minha ligação!!!! SABE.....EU ADORO ANIMAIS.


Autora: Arlete D.Martinez
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É isso mesmo, a gente se fode e o mérito é do sacana que larga o cachorro pra nós. Todo mundo gosta de longe, tem pena de longe, ajuda de longe. O coração não sente o que os olhos não vêem... Felizes ignorantes, ignorando a coisa feia, são felizes. E a gente é louca porque chega perto, sofre com eles, gasta, cuida... O povo é engraçado. Os animais são coisa séria demais pra eles. Nós seres HUMANOS não somos assim, engraçadinhos.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Exploração animal 1

Na África do Sul, hienas são cativas de pessoas sem escrúpulos, como o "pit bull" local. Normalmente são usadas em rinhas e segurança, vendidas como animais exóticos ou "diversão" de criminosos. Da mesma forma que os pit bulls que são tratados como armas (que não são todos, ainda bem), elas também recebem pouco carinho e contato humano, higiêne e abrigo insuficientes, comida e água escassos, pouco ou nenhum cuidado veterinário, andam de focinheira e "controladas" com paus pelos seus donos nas periferias.

Traficantes na América Latina já foram donos de tigres e leões, que eram drogados constantemente para ficarem "calmos" e conviver com seus donos, até que foram descartados. A dependência química age como no ser humano, provocando alterações de humor e descontrole nas crises de abstinência. Não se sabe se esses animais tinham algum "uso", mas se desconfia que eram usados para ameaçar vítimas, inimigos, ou mesmo comê-los vivos.

Na Europa a caça esportiva ainda existe, para tanto são criados coelhos, raposas, patos, felinos selvagens, entre outros. Apenas pelo prazer de perseguir e abater um animal. Ah e também existem os criadores de peles de vison, raposas, chinchilas, entre outros animais selvagens apenas para bem vestir quem pode pagar por isso. Bom lembrar também do mercado mundial de couro, seja de vaca, cabra, coelho, jacaré, cobra, etc. Que aí ninguém tem pena mesmo, afinal eles já nascem "comida" e não animais.

A pesca esportiva nas ilhas caribenhas e nos rios brasileiros é muito popular no mundo inteiro, a mais conhecida é a pesca do Marlin (peixe-espada). O anzol pode não machucar o aparelho bucal do animal, mas mesmo que machuque, ele é solto de volta ao mar para morrer lentamente de hemorragia ou sem poder comer: o pescador não acha que o anzol pode tê-lo machucado (por isso a expressão pesca esportiva). Quando o peixe se debate demais é morto para não oferecer risco à vida do pescador. A prática mais comum é trazer o peixe à bordo para tirar uma foto quando seu tamanho representa uma grande conquista, logo, ele fica sem respirar por longos minutos ou até horas, quando não abatido antes.

O descontrole populacional de elefantes na Africa, camelos no Egito, sapos e coelhos na Austrália, entre outros casos que prefiro nem saber do quê e onde, são motivo para abate indiscriminado promovido pelo Governo. É assim que o ser humano conserta as coisas. Na Índia existem mais de 1 bilhão de pessoas sendo 70% abaixo da linha da miséria. E aí?

Na China não existem leis de proteção aos animais. Mas existem protetores independentes.

Existem pessoas que não comem, nem consomem nada de bichos, protetores que resgatam bichos, simpatizantes que ajudam bichos, pessoas que adotam bichos, criadores de raças de bichos, cuidadores de bichos, lojas de bichos, leis pelos bichos, abrigos de bichos, santuários de bichos...
E até existe ao contrário, bichos que cuidam de pessoas, bichos que trabalham com pessoas, bichos que apenas são parte da família de pessoas, bichos que nunca viram pessoas, bichos que querem ter pessoas como família, bichos com medo de pessoas, bichos que deram a vida por pessoas...

E aí tem eu.
Tem mais gente, mas às vezes parece que só tem eu.
.................................puta que pariu fudeu!